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Problemas de voo

Problema técnico na aeronave: em geral, a companhia ainda deve indenização

Verificado pela última vez em 4 de outubro de 2026Fontes e metodologia5 min de leitura

Problema técnico

Resposta curta

Pelas regras da UE e do Reino Unido, um problema técnico não isenta a companhia na maioria dos casos. O Tribunal de Justiça trata panes e falhas prematuras de peças como inerentes à operação de uma companhia aérea, então a indenização de € 250 a € 600 é devida em cancelamentos e em atrasos de três horas ou mais. As exceções são defeitos ocultos de fabricação ou projeto, sabotagem, colisões com aves e danos causados por objetos estranhos.

Falha técnica comum
Indenização devida
Defeito oculto de fabricação ou projeto
Extraordinária
Colisão com ave, detritos na pista
Extraordinária
Atingida pela escada de embarque
Não extraordinária
Nesta página
  1. O teste de Wallentin-Hermann
  2. Falhas inesperadas: van der Lans
  3. O que conta e o que não conta
  4. Colisões com aves: Pešková
  5. Colisões em solo: Siewert
  6. Defeitos ocultos
  7. Como responder a uma recusa
  8. Reino Unido e as regras da UE de 2027

Quando a companhia escreve que o seu voo foi interrompido “por motivos técnicos” e que a segurança vem primeiro, as duas afirmações podem ser verdadeiras e a indenização normalmente continua devida. Os tribunais europeus põem o custo das panes na companhia, não no passageiro.

O teste de Wallentin-Hermann

O art. 5(3) do Regulamento 261/2004 livra a companhia da indenização só em caso de circunstâncias extraordinárias que não poderiam ter sido evitadas nem com todas as medidas razoáveis.

Em Wallentin-Hermann v Alitalia (C-549/07), o Tribunal de Justiça criou um teste de duas partes para problemas técnicos. Um problema só é extraordinário se decorrer de um evento que:

  1. não é inerente ao exercício normal da atividade da companhia, e
  2. escapa ao controle efetivo da companhia por sua natureza ou origem.

Uma falha descoberta na manutenção, ou causada pela falta dela, não passa na primeira parte. O Tribunal acrescentou que cumprir o mínimo legal de manutenção não prova que todas as medidas razoáveis foram tomadas, e que a frequência com que a falha ocorre não é o fator decisivo.

Ele deu dois exemplos do que se qualificaria: um defeito oculto de fabricação que afeta a segurança de voo, revelado pelo fabricante ou por uma autoridade competente em aeronaves já em serviço, e danos causados por sabotagem ou terrorismo.

Falhas inesperadas: van der Lans

As companhias passaram a argumentar que uma peça que falha antes do fim da vida útil esperada, sem aviso em nenhuma inspeção, seria diferente.

Em van der Lans v KLM (C-257/14), uma bomba de combustível do motor e uma unidade mecânica hidráulica falharam numa aeronave com manutenção adequada no Equador, e as peças de reposição tiveram de ser levadas de avião desde Amsterdã. O voo chegou com 29 horas de atraso.

O Tribunal decidiu que isso não era extraordinário. Aeronaves são máquinas complexas, e a falha inesperada de componentes faz parte de operá-las.

Ninguém está em melhor posição do que a companhia para prevenir e reparar essas falhas, e ela pode cobrar do fabricante pelo art. 13. A companhia não podia invocar o art. 5(3).

O que conta e o que não conta

EventoExtraordinário?Caso
Falha encontrada em manutenção de rotina ou em verificações pré-vooNãoWallentin-Hermann, C-549/07
Falha prematura ou inesperada de um componenteNãovan der Lans, C-257/14
Aeronave atingida por escada móvel de embarque no aeroportoNãoSiewert, C-394/14
Defeito oculto de fabricação revelado pelo fabricante ou por uma autoridadeSimWallentin-Hermann, C-549/07
Defeito oculto de projeto em novo tipo de aeronave, revelado pelo fabricante depois do eventoSimFinnair, C-385/23
Colisão com aveSimPešková, C-315/15
Pneu danificado por parafuso ou outros detritos na pistaSimGermanwings v Pauels, C-501/17
Raio que exige inspeção obrigatóriaSimAirHelp v Austrian Airlines, C-399/24
Sabotagem ou terrorismoSimWallentin-Hermann, C-549/07

A linha divisória é a origem do dano. O que dá errado dentro dos sistemas da própria aeronave, ou nos equipamentos e serviços que a companhia usa todos os dias, é risco da companhia. O que vem de fora e que ela não controla não é.

Colisões com aves: Pešková

Em Pešková (C-315/15), um voo foi atrasado por uma falha técnica e depois por uma colisão com ave na mesma aeronave. O Tribunal de Justiça decidiu que a colisão com uma ave é extraordinária, porque não está intrinsecamente ligada aos sistemas da aeronave. Ele acrescentou três limites:

  • A companhia ainda precisa ter tomado todas as medidas razoáveis. Não se pode exigir dela medidas preventivas que cabem ao aeroporto, como o controle de aves.
  • O atraso causado por uma segunda inspeção que a companhia escolheu ordenar, depois que um perito autorizado já havia liberado a aeronave, não é coberto.
  • Quando um atraso tem várias causas, desconta-se o tempo atribuível ao evento extraordinário. Se o restante ainda chegar a três horas ou mais, a indenização é devida.

Colisões em solo: Siewert

Em Siewert v Condor (C-394/14), uma escada móvel de embarque atingiu a aeronave e danificou uma asa, e o voo chegou com grande atraso. O Tribunal decidiu que as escadas de embarque são indispensáveis ao transporte aéreo de passageiros, então a colisão com elas é inerente à atividade normal da companhia. A indenização era devida.

Defeitos ocultos

Atenção

Defeito oculto não é qualquer defeito que a companhia não conhecia. Ele deve vir da fabricação ou do projeto, afetar a segurança de voo e ser revelado pelo fabricante ou por uma autoridade.

Em Finnair (C-385/23), um indicador de combustível falhou numa aeronave com apenas alguns meses de uso, e o fabricante confirmou depois um defeito de projeto que afetava todo o modelo. O Tribunal aceitou isso como extraordinário, ainda que o defeito tenha sido identificado depois do cancelamento.

Mesmo assim, a companhia deve provar as medidas razoáveis, o que pode incluir ter uma aeronave substituta disponível, quando isso for técnica e economicamente viável.

Como responder a uma recusa

  1. Peça a falha específica, quando foi encontrada e o que a companhia fez para levar você mais cedo.
  2. Responda que, por Wallentin-Hermann (C-549/07) e van der Lans (C-257/14), falhas técnicas são inerentes à atividade da companhia e que o ônus da prova é dela.
  3. Peça o valor fixo: veja a tabela em atraso de voo ou voo cancelado, ou use a calculadora.
  4. Envie por escrito com o nosso modelo de carta. Se a companhia ainda recusar, como reclamar explica os próximos passos.

Dica

A assistência, e a escolha entre reembolso e reencaminhamento, são devidas seja qual for a causa.

Reino Unido e as regras da UE de 2027

A mesma jurisprudência vale para voos sob o UK261; a Corte de Apelação chegou ao mesmo resultado para falhas técnicas em Jet2.com v Huzar, [2014] EWCA Civ 791.

Vale saber

A partir de 23 de outubro de 2027, o Regulamento (UE) 2026/2202 acrescenta ao regulamento uma lista de circunstâncias extraordinárias.

Na parte técnica, ela inclui defeitos ocultos de fabricação ou projeto revelados pelo fabricante ou por uma autoridade competente, e danos à aeronave causados por terceiros, animais ou objetos estranhos. Falhas técnicas comuns não estão na lista.

Perguntas frequentes

A companhia diz que o atraso foi um problema técnico, por segurança. Ela pode recusar a indenização?

Em geral, não. Em Wallentin-Hermann, C-549/07, o Tribunal de Justiça decidiu que problemas técnicos descobertos na manutenção ou causados por falha de manutenção fazem parte da atividade normal da companhia. Pôr a segurança em primeiro lugar é uma obrigação e não transforma uma pane em circunstância extraordinária.

E se a peça falhou de forma inesperada, antes do fim da vida útil normal?

A indenização continua devida. Em van der Lans, C-257/14, uma bomba de combustível e uma unidade hidráulica falharam sem aviso numa aeronave com manutenção em dia. O Tribunal decidiu que a falha inesperada de componentes é inerente à operação de aeronaves, um sistema muito complexo, e a companhia assume esse risco.

Colisão com ave é circunstância extraordinária?

É, segundo Pešková, C-315/15. A companhia só fica isenta pelo atraso que a colisão realmente causou e que medidas razoáveis não poderiam evitar. Se parte do atraso veio de outra coisa, como uma segunda inspeção desnecessária, essa parte conta para o limite de três horas.

Quais defeitos técnicos contam como extraordinários?

Defeitos ocultos de fabricação ou projeto que afetam a segurança de voo e que o fabricante ou uma autoridade revela, danos causados por sabotagem ou terrorismo e danos causados por objetos estranhos, como um parafuso na pista. A companhia deve provar o defeito e que tomou todas as medidas razoáveis para limitar o transtorno.

Como descubro qual foi realmente a falha?

Peça à companhia, por escrito, que indique o componente ou sistema, diga quando a falha foi encontrada e explique por que estava fora do seu controle. O ônus da prova é da companhia, pelo artigo 5(3). Uma resposta que só diga motivos técnicos ou motivos operacionais não cumpre isso.

Fontes oficiais

Verificado pela última vez em 4 de outubro de 2026. Esta página traz informação geral, não aconselhamento jurídico. Regras e decisões judiciais mudam, por isso confira a data acima.

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